RockinRio Humanorama - Carta Aberta A Todas As Pessoas Que Se Permitem Sonhar

Carta Aberta A Todas As Pessoas Que Se Permitem Sonhar

Oi, como vai você?

Responda sinceramente, não é uma pergunta retórica. Inclusive, pode responder para mim por e-mail. :)

É domingo, o dia está gelado em São Paulo - Brasil - saí do quarto apenas uma vez para pegar um pedaço de pizza frio que sobrou de ontem e voltei para a cama, coloquei o computador no colo e pensei muito antes de começar a escrever. Pesquisei, rascunhei, apaguei... até que decidi escrever esta carta, falando das minhas intenções, expectativas, sobre quem eu sou e como sonho com o mundo. Porque, no final, tudo o que me importa são as pessoas. E não há nada mais belo para mim que pessoas que se permitem sonhar e querem fazer do mundo um lugar melhor. Porque, normalmente, elas não negam sua essência para se adequar, ainda que seja tentador.

E como eu quero que tenhamos uma relação saudável e sincera, primeiro peço licença para chegar, a benção de quem é de benção e um sorriso daqueles largos. Me chamo Kamila Camilo, sou uma mulher negra, tenho 1,74 metros de altura e 29 anos (estou naquele período tão temido do retorno de saturno). Há dois anos, escolhi o celibato com objetivo de me reencontrar para poder trocar com outras pessoas e, desde então, venho trabalhando em mim temas como autoconhecimento, saúde mental, espiritualidade, heteronormatividade compulsória e relacionamentos.

Entendi recentemente que ser INTEGRAL é ser leal a mim mesma e que se sonho fazer do mundo um lugar melhor do que aquele que eu encontrei, autenticidade e presença são coisas das quais não posso abrir mão.

Ser quem somos custa caro e a crença de que vamos mudar o mundo talvez seja super utópica, mas estou aprendendo que quando sou eu mesma e estou presente no aqui e agora tudo pode ser transformado, se toda pessoa é um mundo em si mesma, e nós somos produto das pessoas que tocamos, meu convite é para mudar o mundo - um mundo (pessoa) por vez

Não há mudança sem presença e entrega. Me lembro que há alguns meses, em um grupo de Whatsapp, compartilhei como foi a última vez que tive um burnout e quase na mesma hora várias histórias similares foram compartilhadas no grupo. Todas as pessoas com menos de 30 anos, exaustas de trabalhar, ansiosas, em depressão ou sofrendo de ambas, presas num ritmo de vida que não respeita os limites físicos, que sá emocionais. Ler aquilo foi como um despertar para mim, decidi que dali em diante buscaria viver mais no presente e isso não quer dizer parar de fazer planos, mas sim aproveitar a jornada até a realização - e, ao compartilhar essa jornada, fui observando meus pares se escolhendo.

Como boa pisciana tenho meu mundo particular, sonho com o dia em que não terei medo de andar sozinha na rua e correr o risco de alguém tentar me estuprar de novo, onde a Amazônia e os povos originários têm suas terras e cultura preservadas, onde pessoas negras são respeitadas, onde justiça e equidade são valores nunca negligenciados, onde a arte e a música são instrumentos de transformação social e as conversas são de fato ferramentas para paz, porque eu acredito que falar cura.

E eu escrevo essa carta para te convidar a fazer parte da revolução das relações, ela será mais poderosa que qualquer outra na história, sabe por quê? Porque se transformarmos a maneira com que lidamos uns com os outros, soubermos cultivar a escuta ativa, empática e generativa, praticarmos o acolhimento e buscarmos construir convergências e não apenas consensos, poderemos ofertar e receber mais aceitação.

Um dia desses, estava assistindo vídeos da tiktoker australiana Emma Line que tem um quadro onde pessoas fazem perguntas ao filho mais velho dela - Levi - e me dei conta de que o mundo tem chance de se tornar um lugar melhor. Alguém perguntou sobre racismo insinuando que era um problema apenas de alguns lugares do mundo e ela pergunta “Levi, o que você acha?” Ele responde: “compartilhamos o sol, a lua, a terra e os problemas”. Foi como se uma luz acendesse na minha cabeça e pensei: é isso! E se compartilhamos os problemas, também compartilhamos a solução - a solução somos nós mesmos.

Não nego que haverá dias de raiva. Entretanto, ao expandirmos nossa consciência, seremos capazes de canalizar a raiva para o seu potencial criativo. Jamais acomodar com o que incomoda, mas sempre transformar de dentro para fora, porque só assim as mudanças serão duradouras e consistentes.

Me comprometo a partilhar com vocês ferramentas de autoconhecimento, colaboração e engajamento com causas, experiências pessoais que me trouxeram lições de vida e, sobretudo, criar um espaço de troca.

Espero que possamos partilhar, acolher e, mesmo que virtualmente, abraçar com as palavras uns aos outros/as/es. E também quero te lembrar que este é um espaço para gerar movimento. Sendo assim, como você quer mudar o seu mundo e as suas relações a partir da presença e da entrega? Que tipo de soluções para os nossos problemas compartilhados podemos construir? Me escreve e conta seus pensamentos. Quando partilhamos, crescemos. <3

De coração aberto,

KAMI

e-mail: kamila.camilo@globalshapers.com.br


Assine a nossa Newsletter e entre nessa conversa conosco, aqui.



Avatar - Kamila Camilo
Kamila Camilo

Kamila Camilo, é feminista negra decolonial, ativista, há 10 anos atua com projetos sociais, tem como missão deixar o mundo um lugar melhor do que ela encontrou e faz isso gerando conversas que transformam e fazendo perguntas provocativas. É inquieta e atualmente canaliza seu senso de justiça ajudando organizações a gerarem impacto positivo através de seus negócios.

Link copied!
Este site não suporta Internet Explorer. Por favor utilize outro browser da sua preferência.