RockinRio Humanorama - Cringe

Cringe

O último final de semana foi um prato cheio para os fãs de games. Tivemos a edição online do Game XP 2021. O evento estava lindo, o palco montado pela equipe tava divino, mas o que realmente me chamou a atenção, foi o conteúdo. Se teve um momento em que realmente senti que o tempo passou para mim, foi observando o conteúdo do evento.

Sou millenial cringe assumida. Não conheço os principais gamers, influencers, tiktokers (que atire a primeira pedra quem é fã das dancinhas! Mas eu nem sequer tenho uma conta nesse aplicativo) e muitas das vezes tenho uma certa dificuldade em entender o que o público jovem consome em termos de conteúdo. E sinto que não estou sozinha nessa.

Jovens considerados geração Z são o que chamamos de Nativos Digitais, que abrange os nascidos entre meados dos anos 90 até 2010. São a primeira geração que cresceu com celulares, acessando internet e compartilhando arquivos. Os nativos digitais passaram por uma grande crise econômica e sugere-se que por esse motivo sejam mais inseguros e insatisfeitos com a realidade econômica e política do país. Além disso, são mais abertos às diversidades, e muito mais ligados às questões ambientais.

Para atrair a atenção de um Z, a comunicação tem que ser muito dinâmica. Ao primeiro sinal de que não está mais curtindo, o jovem procura outro conteúdo para consumir (imagina se eles soubessem que eu que sempre acordei cedo, tinha que ficar assistindo às listras coloridas com fundo musical, porque os canais só entravam no ar às 7 da manhã! Abafa o caso!).

Um dos maiores eventos de óleo e gás do país vai ter uma edição voltada para o público jovem, buscando engajar pessoas que ainda nem entraram na faculdade, ou que ainda não sabem que carreira seguir, para atraí-las para o setor. Dentre os temas a serem abordados está o futuro da energia, sustentabilidade, diversidade; além de mostrar casos práticos de inovações que a indústria está se propondo a fazer para passar pela transição energética, de redução de emissões para redução de alterações climáticas; e de como essa indústria pode ser dinâmica e tecnológica. Por que será que uma área que atraiu diversas gerações não se mostra mais tão sedutora para as novas gerações (apesar das oportunidades)?

As redes sociais e o modo de comunicação atual acabaram criando uma polarização que muitas vezes parece uma guerra entre o bem e o mal. Do certo e do errado. E infelizmente as coisas não são tão simples assim. Da noite para o dia o petróleo passou a ser considerado o vilão tirano das mudanças climáticas. Certamente sua exploração tem muitos pontos a melhorar, e as fontes de energia alternativas estão se desenvolvendo a todo vapor; mas o processo de transição energética é lento e custoso, e não vai ser da noite para o dia... Ainda vamos ter exploração de petróleo durante alguns bons anos e vamos precisar conviver com isso da melhor forma (e vou contar um segredo: o aparelho celular de todo mundo depende desse recurso! Deixa quieto!) e buscando alternativas viáveis.

Um dos princípios das cidades inteligentes é justamente a utilização de tecnologias para facilitar a vida das pessoas. Quanto a isso os jovens de hoje em dia estão mais do que preparados. Só que diante de toda essa infinidade de informações e velocidade de comunicação, é importante respeitar as diferenças geracionais e não termos radicalismos de nenhum dos lados. O futuro depende de todas as gerações e é para todos. 


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Letícia Freire

Coordenadora de Operações e Sustentabilidade no Rock in Rio Brasil. Carioca, casada e mãe de dois. Mas a minha verdadeira definição, depende da sua perspectiva.

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