RockinRio Humanorama - De Psicóloga A Software Developer

De Psicóloga A Software Developer

Se há alguns anos me perguntassem onde me via no futuro, nenhum dos meus planos incluía trabalhar como software developer. Iria explorar a minha carreira em psicologia: estava a trabalhar com doenças mentais graves, criminosos considerados inocentes por motivo de insanidade e as minhas tardes eram passadas numa prisão ou em intervenções com pacientes em crise. Diria que o meu interesse predominante era investigação sobre psicopatia e outros comportamentos criminosos, não o desenvolvimento de software.


Reconhecer a necessidade de uma mudança

A psicologia proporcionou-me muitos momentos incríveis e a oportunidade de trabalhar com diversas pessoas que compartilharam as suas histórias comigo. Mas foi envolta em anos de trabalho precário, exploração e desemprego.

Senti que precisava de uma mudança, que não tinha futuro profissional e estava a ser arrastada do campo que gostava da psicologia para trabalhar noutros que eram igualmente importantes, mas não me faziam sentir realizada.

Muitas pessoas perguntam por que razão decidi seguir uma carreira na área da tecnologia e se já tinha alguma experiência anterior na área. A resposta é não. A minha experiência com computadores era de uso comum e videojogos. Enquanto crescia, queria ser piloto da Força Aérea, patologista forense ou trabalhar na Polícia Judiciária. Nenhuma dessas opções é remotamente próxima ao desenvolvimento de software. Mas a área de TI oferecia alta empregabilidade e um plano de carreira real. Não tinha certeza se ia gostar, mas decidi arriscar e dar um salto para o desconhecido.

 

Hora de mudar - SWitCH()

SWitCH () é uma pós-graduação da Porto Tech Hub e do ISEP. Apresenta-se como um programa de requalificação para quem pretende adquirir competências e aptidões para uma integração plena e rápida no mercado de trabalho como profissional de TI. Era exatamente o que eu estava à procura. Era o impulso de que precisava para começar esta aventura.

O programa SWitCH () foi uma experiência imersiva e intensa. Como é que alguém se pode tornar num developer em 9 meses? Até hoje, não acredito que seja possível. Mas pode dar-nos conhecimento sobre os fundamentos e ensinar-nos a aprender e investigar por nós mesmos. Com professores dedicados que nos ajudam a ultrapassar os nossos limites, todos os dias aprendemos algo novo, de um universo que se reconstrói a cada momento.

 

Onboarding numa nova “casa”

Quando tens uma formação tão diferente como a minha e nenhuma experiência neste campo, perguntas-te o que vai acontecer quando entrares. Vais ser capaz de acompanhar os teus colegas? Vais ser aceite? Ou toda a gente vai olhar para ti como a psicóloga que decidiu brincar aos computadores?

Desde o meu primeiro momento na Blip, nunca me senti perdida ou sozinha. O primeiro dia foi de onboarding, cheio de apresentações e atividades. Tive um Buddy que me mostrou a empresa, a sua cultura, a equipa onde seria integrada (Esco.jar), e as suas atividades habituais.

Ao meu Buddy, foi dada a tarefa hercúlea de ajudar uma psicóloga a tornar-se uma Backend Developer. Apesar de toda a equipa estar envolvida, era ele quem estava sempre lá para mim, para partilhar as minhas dores e ajudar a responder às minhas perguntas absurdas. Não importa o quanto te sintas aceite, continua a ser intimidante começar numa nova empresa / nova área / novo tudo. Ter um Buddy tornou isto mais fácil.

A minha jornada técnica começou com aprender sobre as tecnologias usadas na equipa. Eles desafiaram-me não apenas a conhecê-las, mas a questionar porque é que as usavam entre tantas outras. Muitas vezes eu só queria uma resposta, mas eles fizeram-me procurar, "bater com a cabeça contra a parede", ensinando-me algo tão presente na equipa - o espírito de "não seguir o rebanho" sem o questionar.

Rapidamente comecei a ser desafiada não só a aprender, mas também a trabalhar com tecnologias das quais nunca tinha ouvido falar. O meu curto conhecimento de Java e Spring evoluiu para tecnologias como Scala, Kafka, Akka, Chef, Zookeeper e conceitos como concorrência, sistemas distribuídos e padrões de design complexos.

O meu manager certificou-se de que eu estava confortável - se eu estava a gostar do que fazia, se sentia que estava a aprender e se os nossos objetivos se alinhavam. Deu-me a opção de mudar de backend para outras áreas, caso eu percebesse que afinal isto não era o que eu estava à espera. Até se preocupou com a minha integração como mulher no que ainda é um campo predominantemente masculino. Na era da luta por direitos, oportunidades e salários iguais, nunca achei que isso fosse um problema na Blip.

A equipa teve tempo para me conhecer, quer a nível pessoal, quer a nível profissional. Nunca me fizeram sentir diferente. Contra todos os meus medos, senti-me aceite.

O tempo foi passando e, a cada desafio realizado, outros aguardavam, preparando-me para finalmente trabalhar lado a lado com a equipa, contribuindo para o desenvolvimento de componentes em produção.


Revendo o passado com um olho no futuro

Já se passaram quase dois anos desde a última vez que entrei na clínica de psicologia onde trabalhava. Sinto falta das pessoas com quem me cruzei, mas não houve um único momento em que eu desejasse voltar atrás.

Este não tem sido o caminho mais fácil, mas é sem dúvida gratificante. Encontrei um lugar que me desafia diariamente. Aqui faço parte de uma equipa que confia nos seus membros, apoia-se mutuamente e desafia-se a melhorar. Após o estágio, ofereceram-me um lugar na equipa, que aceitei orgulhosamente aceitei.

A psicologia faz parte de mim. Ensinou-me imenso, mas hoje tenho orgulho de me apresentar como uma "developer in the making" e espero que assim continue por muitos anos.


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Daniela Carvalho

Nascida e criada no Porto, apaixonada por música, gaming e aventura, troquei a psicologia pelo desenvolvimento de software após 10 anos de procura de uma carreira profissional. Acredito que nunca é tarde demais para procurar uma mudança, aceitar desafios e descobrir novas paixões | A Blip é uma empresa de desenvolvimento de software, pertencente ao Grupo Flutter Entertainment, sediada no Porto. Encontra-se sempre entre as melhores empresas para trabalhar em Portugal.

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