RockinRio Humanorama - Em Que Ponto Da Maratona Estamos?

Em Que Ponto Da Maratona Estamos?

Somos adultos inéditos, estamos na adolescência do futuro e no início da década mais importante dos últimos 150 anos. Mas o artigo precisa começar falando de maratonas...

Chegamos na “parede” !... Na linguagem de maratonistas, “parede” é o ponto - em torno do quilômetro 32 - onde os corredores estão exaustos. Soa familiar, não? Nesta longa pandemia, é exatamente assim que se sente a maioria das pessoas que venho pesquisando (de diferentes classes sociais, de inúmeras regiões do Brasil e, também, de empresas de todos os portes).

Já corri meias-maratonas. Mas, maratona, ainda não. Por isso, ainda não havia sentido o que é chegar nessa tal parede. Apenas havia lido muito a respeito disso, assim como eu também já havia lido sobre pandemia (Gripe Espanhola, por exemplo), mas não havia estado sob uma... Mas, voltando à tal parede...

Segundo o que eu li no site Gizmodo, o médico Mark Perazella, professor da Escola de Medicina da Universidade de Yale, disse que chegar à “parede” é quando “você quase exauriu suas reservas de carboidratos e o açúcar do seu sangue está despencando. Você está correndo com o tanque quase vazio. O cérebro só consegue operar com glicose, então as pessoas começam a perder o foco, ficar com a visão embaçada e a ir mais devagar”.

No início da Covid, quando eu já tinha completado uma quarentena (40 dias, apenas...) dentro de casa, confinado, fiz um IGTV falando de que estávamos numa maratona da qual não sabíamos a distância e nem o tempo que levaríamos para completá-la. Até mesmo quem disputa o “Iron Man” sabe quais são as distâncias e os seus limites – e, assim, treina duro para isso, aprendendo a dosar a energia necessária, focando em ritmo, respiração, passadas e, o mais importante, tratando de se preparar (e muito!) psicologicamente para cada fase de uma empreitada dessas. Mas até parece que é fácil, se compararmos com este momento que vivemos...

Pois, sem desmerecer quem se prepara para maratonas, eu creio que realizar isso deva ser algo, ao menos, mais simples do viver sob uma pandemia: para maratonistas, já há métodos, treinadores, literatura a respeito, etc. Não é simples correr uma maratona, mas, quem se propõe a fazê-lo e se prepara adequadamente para tal, consegue! E nós, agora, nesse momento de uma infindável pandemia, o que somos? Somos ultramaratonistas sem parâmetros: não sabemos a duração disso, não temos treinadores, não há métodos disseminados, a nossa última referência disso ter acontecido globalmente foi de um século atrás – e, definitivamente, não havíamos nos preparado para tal!

E eis que estamos na primeira parede de uma maratona que ainda não sabemos a sua extensão, mas precisando passar dela e seguir em frente. Frank Biello Jr, de 39 anos de idade, ao correr sua segunda Maratona de Boston, em 2017, descreveu como é o trecho final da corrida, na mesma matéria do site Gizmodo: “é basicamente dor nos nervos e músculos, do desgaste. Quando você chega à parede, é a mente que manda. Você precisa fazer o que conseguir para manter sua mente focada em todo o resto e se manter positivo.”

Parece simples, não é? Tudo se resume ao preparo mental para que o corpo, exaurido, reaja ao estímulo e encontre forças para seguir em frente. Pode ser simples, mas não é fácil. Pois estamos - repito - na PRIMEIRA PAREDE desta maratona. E, sem sequer podermos parar para descansar, nós precisaremos de muito equilíbrio e de muita paz interior para descobrirmos, individualmente, qual é o ponto da conexão mente-corpo-espírito que cada um tem dentro de si – sendo que, uns com mais, outros com menos consciência de sua existência.

Porque, se o maratonista tem falência física ao se deparar com a parede e conta com a força da mente para seguir em frente, o que nós podemos fazer, agora, nesse momento de pandemia, onde o risco de falência é, principalmente, no âmbito da mente? O que pode recarregar nossa mente em meio à pandemia? Pois é essa a minha busca atual. Tenho buscado tomar/adotar uma série de pequenas atitudes que, somadas, vêm conseguindo me manter equilibrado – mas a falta de certezas quanto à distância e à duração desta ultramaratona Covid tem pesado muito.

No entanto, temos de seguir lutando. Então, vamos em frente! E, assim como a água desvia das pedras, vamos criar o hábito de desviar das paredes desta ultramegablaster maratona da qual não sabemos a extensão – e nem de quantas paredes ainda surgirão. Mas, juntos, com muita colaboração, muita compreensão, muita empatia, muita solidariedade e muita cooperação, haveremos de sair dela.

Somos adultos inéditos, pois, se já houve pandemias no passado, nenhuma havia sido sob total conexão planetária. Redes sociais, fakenews, isso tudo concorre para o ineditismo desta experiência coletiva. Somos adultos inéditos, sim, porque entramos na década mais importante dos últimos 150 anos com a missão de encaminhar uma nova era, com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para serem colocados em prática e, assim, mudarmos o mundo. Apenas estamos na fase inicial e turbulenta de um futuro próximo que, seguramente, será mais humano e mais maduro. Sairemos desta fase difícil, sim. Estamos na Adolescência do Futuro.


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Dado Schneider

O Prof. Dado Schneider é pós-Graduado em Marketing pela Univ.Fed. do RS e é Mestre e Doutor em Comunicação pela PUC/RS. No auge da propaganda no Brasil, trabalhou em grandes agências, como DM9, Ogilvy, MPM, entre outras. Além de ter sido consultor de grandes empresas, foi executivo da CLARO e é o próprio criador desta marca. Foi "Evangelizador Digital" do Magazine Luiza na sua grande "Virada Digital", em 2015. Nos últimos anos, palestra sobre as suas pesquisas sobre comportamento das novas gerações e foi considerado pelo site Buzzfeed como "palestrante imperdível da Campus Party", de onde também é Embaixador. É autor de “O Mundo Mudou... Bem na Minha Vez !”, um livro feito todo em Tweets.

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