RockinRio Humanorama - Estamos Na Adolescência

Estamos Na Adolescência

Sou um pesquisador de comportamento e me dedico a estudar as gerações - mas, principalmente, a que nasceu na Era Digital: a Geração Z. 

Há quase 20 anos, eu já falava em minhas palestras que esta nova geração não seria mais tão ligada aos tradicionais meios de comunicação e que não seria mais tão movida por marcas como as gerações anteriores, além de já ter chegado ao mundo mais horizontalizado e menos hierarquizado. 

Me chamavam de louco, há uns 15 anos, quando eu dizia que a Geração Z iria envelhecer os Millennials ainda mais rapidamente do que estes haviam envelhecido as Gerações X e Baby-Boomer. 

Ao comparar a Geração Z com as que a antecederam, eu provocava as plateias de minhas palestras presenciais (pré-pandemia) dizendo que, quando eu era criança, no séc.XX, o melhor bife na mesa ficava com os adultos; e que, agora adulto, no séc.XXI, o melhor bife fica com as crianças. "O mundo mudou... bem na minha vez!" - eu dizia. E mais: agora que já tínhamos uma ideia pré-concebida de futuro, vem a pandemia e nos tira a capacidade de prever o final do mês, o ano que vem, etc. Então, não é somente o mundo que mudou "bem na minha vez": agora, é o Futuro que mudou... E bem na minha vez! 

Também já faz mais de uma década que prego que "somos adultos inéditos", já que viveremos até os 100 anos de idade com capacidade de agir, pensar e trabalhar. Isso muda completamente a nossa relação com as mudanças, pois, se vamos viver, em média, 25 anos a mais do que a média de nossos avós, seremos expostos a um volume muito maior de mudanças, além de uma complexidade para a qual não havíamos nos preparado e, principalmente, numa velocidade de mudança para a qual, decididamente, não seremos capazes de acompanhar. 

Tudo isso impacta na nossa forma de lidar com essas incríveis transformações e, para nós, adultos no séc.XXI, mudar, hoje, não significa, necessariamente, gostar do que está acontecendo - mudar, hoje, é entender para aceitar. 

E isso tem relação, também, com a estrutura/agenda vertical do século XX, onde a autoridade estava imposta e era exercida de cima para baixo - no ambiente familiar, na escola e no trabalho. 

Já no século XXI, entrou em cena uma outra agenda, horizontal, da Diversidade, da Inclusão, da Sustentabilidade, da Cooperação e do Compartilhamento. 

Ainda comparando épocas, no séc.XX, jovem era jovem, aberto ao novo - e velho era velho, resistente a mudanças. Ou seja, a gente se diferenciava por idade. 

Já na agenda horizontal do séc.XXI, onde tudo está no mesmo plano, há jovem-jovem, jovem-velho, velho-velho e velho-jovem - e, portanto, passamos a nos diferenciar por mentalidade. 

E tem mais o efeito "Década de 20": assim como, no século passado, a Década de 20 daquela época teve um salto tecnológico fantástico, um florescimento das artes e um considerável avanço nas conquistas sociais, para a Década de 20 deste século também está sendo esperado um salto gigantesco. 

O problema é que, como num daqueles jogos infantis de trilha, tiramos a carta "volte quatro casas" em março de 2020 (no início da pandemia). Mas não saímos do jogo da evolução e, no final desta década, em 2030, o mundo vai olhar para trás e perceber que nunca terá havido um salto tão grande nos últimos 120 anos. 

Por fim, a maior questão é o século XX ainda tentar "mandar" no século XXI. A agenda vertical do século passado não vale mais: esta briga já dura 20 anos, mas, agora, a pandemia está tirando o séc.XX de cima do séc.XXI. E esta nossa Década de 20 será a de mudança de mentalidade, de redução de pobreza e fome, de avanços da Medicina e da alta tecnologia. 

Vamos encerrar esta Década de 20 de uma forma mais avançada e madura, mas, hoje, vivemos um período meio "adolescente": com espinha no rosto, voz estranha, corpo desengonçado... Mas, depois, vem a maturidade e uma vida adulta interessante. 

Estamos, portanto, na Adolescência do Futuro. 


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Dado Schneider

O Prof. Dado Schneider é pós-Graduado em Marketing pela Univ.Fed. do RS e é Mestre e Doutor em Comunicação pela PUC/RS. No auge da propaganda no Brasil, trabalhou em grandes agências, como DM9, Ogilvy, MPM, entre outras. Além de ter sido consultor de grandes empresas, foi executivo da CLARO e é o próprio criador desta marca. Foi "Evangelizador Digital" do Magazine Luiza na sua grande "Virada Digital", em 2015. Nos últimos anos, palestra sobre as suas pesquisas sobre comportamento das novas gerações e foi considerado pelo site Buzzfeed como "palestrante imperdível da Campus Party", de onde também é Embaixador. É autor de “O Mundo Mudou... Bem na Minha Vez !”, um livro feito todo em Tweets.

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