RockinRio Humanorama - FIRST THINGS FIRST, Antes De Tudo: O Que Importa

FIRST THINGS FIRST, Antes De Tudo: O Que Importa

Eu preciso me apresentar.

Precisamos começar pelo básico, se você espera que uma relação tenha êxito. Contudo, os conceitos de sucesso, de bom ou mau e tudo mais que será pensado nessas e em quaisquer outras linhas que escrevo serão sempre relativos. Porque de fato, tudo é. De fato, não dá para agradar a todos. Não que isso não seja uma vontade em alguns momentos, mesmo com todos os anos de análise e terapia.

Em um dos inúmeros consultórios que passei por essa vida, aprendi com Freud que não há como prevenirmos a neurose, pois ela é o nosso destino e como estabelecemos a nossa sobrevivência. Se não há como fugir, apresente-se a ele e eu preciso me apresentar.

Recentemente assisti uma ótima e forte entrevista da Ellen DeGeneres no programa do David Letterman na Netflix. Entre os vários insights, ela falou algo que ficou na minha mente: “se você acredita em tudo de bom que falam sobre você, você deve acreditar em tudo de ruim também”. Seria esse o Nirvana? Um estágio pleno de certeza de quem se é ou deixa de ser e a total tranquilidade com isso. Pelo sim, pelo não, transformei a frase no meu mais novo mantra.

Só que eu não sei te dizer quantas linhas foram escritas e rapidamente apagadas ao tentar criar esse texto. Um texto para agradar. Nessa briga de ego e superego, Ellen ficaria decepcionada comigo. Mentira. Essa sou eu querendo que ela se importe, ED não ligaria.

Em tempos de coachs, frases de efeitos, 30 minutos diários de meditação e dos super coffees, seria uma blasfêmia assumir que aos 36 anos de vida, eu ainda não sei se sei quem sou? Muitas pessoas já me falaram que qualquer um pode saber o que penso e sinto apenas ao olhar para o meu rosto. A vez que mais me marcou foi quando uma chefe, no meio de um trabalho, me parou e disse que a minha melhor qualidade e meu pior defeito é ser muito transparente.

Como fazer com que a sua verdade não se torne a sua maior fraqueza? Existem técnicas. O corpo fala, fórmulas, cursos de oratória, estilos de comunicação, mas isso não é para mim. Eu não sei me limitar e acho que ninguém efetivamente consegue. Veja pela história, nações passaram (e ainda passam) décadas em guerras lutando por territórios, mas nada é mais difícil para um homem do que ocupar verdadeiramente o espaço em que habita.

A solução que encontrei para o meu problema foi tentar ao máximo viver genuinamente. Há 11 anos eu conheci o budismo e desde então, o adotei como filosofia de vida. Dentre um dos diversos ensinamentos, existe a prática de unir seu pensamento, com sua fala e sua ação. Esse é o caminho do meio. O viver em sua máxima potência. Por isso, eu decidi fazer as pazes com os meus olhos involuntariamente arregalados e com as expressões que transitam livremente e sem aviso prévio pelo meu rosto.

“E assim se repete, de escola em escola, de ano em ano, o espetáculo do duelo entre o espírito da lei e a lei do espírito...”, trecho citado do livro Debaixo das Rodas de Hermann Hesse. Para mim, nada resume mais a existência humana do que o duelo descrito. Nesses nossos encontros mensais provavelmente haverá muitas referências de livros e autores. Me fascina aqueles que conseguem colocar em palavras o que sentem e interpretam. Hesse é uma dessas mentes brilhantes que tem como ponto de partida o ser humano, sua finitude e sua perenidade. Entre frases geniais, trechos autobiográficos, Prêmio Nobel, disrupção de dogmas e equilíbrio em abismos – Hermann sabia se apresentar.

Me chamo Anna Clara Chermont sou jornalista de formação, apaixonada por cinema e produtora como profissão. Signo Aquário, ascendente Leão e lua em Libra. Meu sonho de infância era ter uma nuvem. Serve? Como eu disse, eu não sei me limitar.

658 palavras e eu ainda preciso me apresentar, embora não sei como. Você sabe?


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Anna Clara Chermont

Aquariana, carioca, 36 anos. Formada em Jornalismo, amante das artes e produtora do Rock in Rio. Já trabalhou como assessora de imprensa, roteirista, cineasta e produtora cultural. Há alguns anos descobriu uma vontade de fazer as coisas acontecerem, e desde então vem tentando aprimorar essa habilidade. Heavy user de terapias, filosofia e produtos de skincare.

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