RockinRio Humanorama - Inteligente, Hein?

Inteligente, Hein?

Na semana passada eu concluí meu MBA em Cidades Inteligentes (tá bom, ainda falta escrever e defender meu TCC, mas me deixa achar que eu terminei!). Ao longo do último ano, eu tive a oportunidade de entrar em contato exatamente com o que eu esperava: informações a respeito do que se tem de mais moderno e avançado em termos de cidades que se pretendem mais inclusivas, acessíveis e possíveis. 

Quando eu me inscrevi no curso, minha intenção era voltar a estudar depois de longos dez anos longe da academia. Confesso que me faltou coragem (e tempo e incentivo) de encarar um doutorado, e por isso fui atrás do “master”. Sempre me percebi como uma pessoa que gostava de estudar – e tenho facilidade para isso – e me desafio a cumprir metas pessoais eventualmente. Até me considerava uma pessoa “inteligente”, e fui obrigada a repensar esse termo.   

Como engenheira ambiental e urbana me deparei nesse MBA com uma situação que até então foi inesperada para mim: lidar com o social. Durante a minha graduação e meu mestrado, o foco era sempre o meio ambiente. Como fazer para proteger e/ou conviver em harmonia com a fauna, a flora e todos os recursos naturais, sem sobrecarregá-los e desfrutar de todas as vantagens e possibilidades, garantindo que fossem utilizados, mas mantendo sua conservação para as próximas gerações.  

Quando fui estudar cidades inteligentes, tinha na cabeça a ideia de que estaria monitorando online o consumo de água, estudando alternativas para a geração de energia através de fontes diferenciadas... mas logo fui jogada à realidade: de que serve tudo isso, se as pessoas não estiverem bem? Nada como estar enganada e ser resgatada a tempo, não é mesmo?! 

Claro que essas questões que até então eram o meu foco, também foram parte dos temas debatidos; mas o mais importante do curso foi perceber que isso é secundário. Não existe tecnologia capaz de tornar uma cidade inteligente, se ela não levar em consideração as necessidades e anseios das pessoas. O foco não está nas cidades, o foco deve ser nas pessoas! 

A cidade é inteira informatizada, mas não existe participação popular na escolha de projetos prioritários para a prefeitura? Não é inteligente, é tecnológica. Tem gestão adequada de recursos, mas não tem acessibilidade, comunicação assertiva, inclusão...? Lamento, mas não é inteligente. 

E em uma das últimas aulas, um dos professores discordou do conceito de “inteligente”, afinal, quem é que não quer ser inteligente? Até eu me considerava assim. Que cidade quer ser taxada de “burra”? 

Independente da nomenclatura, que as nossas cidades do futuro – ou do presente – pensem no que realmente importa: o bem-estar das pessoas, animais, recursos naturais; e que tudo isso encontre um equilíbrio entre a exploração e a produção.  

E não poderia deixar de aproveitar o espaço para agradecer o LARES/UFRJ (Laboratório de Responsabilidade Social) pelos ensinamentos - 'sacodes' - e vivência do último ano. Obrigada pelo desconforto! 


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Letícia Freire

Coordenadora de Operações e Sustentabilidade no Rock in Rio Brasil. Carioca, casada e mãe de dois. Mas a minha verdadeira definição, depende da sua perspectiva.

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