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Lifelong Leisure - Desapegos & Escolhas

As escolhas que fazemos no presente determinam o que será do nosso futuro, afinal somos feitos das nossas escolhas. Só que como andamos tão ocupados e corridos, às vezes nem percebemos que as escolhas que fazemos, todos os dias, muitas vezes são inconscientes. Contudo, são essas decisões que muitas vezes definirão o nosso percurso. Esse período que estamos vivendo de pandemia nos convidou a desapegar dos espaços externos, para ampliar os espaços internos e nos ensinou o quão importante é dar atenção à vida para enxergarmos com lentes diferentes o que ela nos mostra. Desapegar de algumas certezas, crenças, expectativas, inseguranças e mágoas nos ajuda a interpretar mais as nossas escolhas, usando a mente e o coração. 


“Não siga o passado; não se perca no futuro. O passado já não existe; o futuro ainda não chegou. Observando profundamente a vida como ela é, aqui e agora, permanecemos equilibrados e livres.” Koan Zen¹ 


Estamos realmente vivenciando uma significativa mudança em nossa visão de mundo e nesse processo de escolhas evidenciamos que o que antes nos servia, aos poucos, está se tornando menos importante. A forma acelerada ao qual somos impactados, diariamente, pelas inovações tecnológicas, nos fez rever vários conceitos e entre eles a maneira como aprendemos e quais informações devemos realmente armazenar para melhorar as nossas habilidades, tanto no campo profissional quanto no campo pessoal. 

Ao acompanharmos o desenvolvimento de uma criança, durante a primeira e a segunda infância, observaremos que boa parte do aprendizado adquirido por ela ocorrerá durante os momentos de lazer, ou seja, através de novas descobertas e experiências vivenciadas. Por exemplo, ao jogar futebol com os amigos a criança desenvolverá habilidades de como trabalhar em equipe, que serão essenciais para a sua vida profissional na fase adulta. Ou seja, isso prova que estamos em constante aprendizado a todo o momento.  

Com a pandemia da Covid-19, o mundo e o local de trabalho mudaram. Rapidamente nos vimos obrigados a trabalhar das nossas casas, através do Home-Office, e a estudar, de forma virtual, pelo sistema EAD. O trabalho remoto proporciona às pessoas a tão sonhada liberdade de poder trabalhar de qualquer parte do mundo, ampliando os momentos de lazer que poderão ser utilizados para aprender e desenvolver novas habilidades, além, é claro, de uma melhoria na qualidade de vida. Porém, nem tudo é um “conto de fadas” e algumas questões devem ser levadas em consideração, como, por exemplo: Estou utilizando este tempo livre, de maneira proveitosa, para o meu desenvolvimento? Durante os momentos de lazer, quais são as habilidades que eu estou adquirindo? Estes aprendizados estão conectados com o meu verdadeiro propósito de vida? 

Para responder às perguntas acima, usarei como exemplo o caso do “Projeto Desbravando as Américas”², fundado pelo turismólogo carioca, Wallace Soares. No ano de 2014, ele vivenciou um conturbado período da sua vida, no qual ele se encontrou desempregado e sofrendo por uma grande desilusão amorosa, que acabou levando-o a um quadro de depressão. Para sair daquela complicada situação, Wallace tomou a decisão de utilizar o seu tempo ocioso, de forma criativa, para começar a elaborar um grande projeto de viagem, com o objetivo de ir do Rio de Janeiro ao Alasca, de ônibus.  Morador de uma Comunidade, localizada no bairro da Tijuca, ele pesquisou por maneiras econômicas para “dar vida” ao seu sonho e assim superar todas as adversidades socioeconômicas que se apresentavam à sua volta. Em junho de 2015, ele realizou a primeira etapa do seu projeto, durante o período de férias do seu novo trabalho, conseguindo viajar do Rio de Janeiro a Montevideo, com a quantia fixa de 4 mil reais, que ele havia economizado ao guardar 15% do seu salário mensal em uma poupança. Após o sucesso da primeira etapa, Wallace realizou mais três viagens, ficando cada vez mais próximo do seu objetivo de chegar ao Alasca. Ao retornar de cada etapa, Wallace percebeu que apesar de viajar a lazer, ele havia adquirido um vasto conhecimento sobre a história, a cultura e a gastronomia das cidades visitadas, como, por exemplo, aprender um novo idioma, o espanhol, devido às suas experiências vivenciadas, que estavam diretamente ligadas ao seu verdadeiro propósito de vida, além de descobrir a sua verdadeira vocação profissional. Segundo ele, os aprendizados proporcionados pelo seu projeto “Desbravando as Américas” mudaram a sua maneira de ver a vida e o mundo. Graças às suas viagens, ele se tornou escritor, tendo, atualmente, dois livros publicados com relatos das suas aventuras pelo Continente Americano, e tornou-se palestrante, com o objetivo de ajudar pessoas na quebra de tabus historicamente impostos pela sociedade, como, por exemplo: “É preciso ser rico para realizar viagens?” e “A importância das Viagens como tratamento alternativo para os males do século XXI, como a depressão e a crise de ansiedade”, entre outros. 

Aprender a aprender, desenvolver hábitos de aprendizagem positivos e melhorar o desempenho por meio da prática deliberada, durante os momentos de lazer, será um grande diferencial para os profissionais do futuro, pois serão essas habilidades que os gestores de empresas buscarão em seus funcionários. Portanto, devemos estar cientes sobre o que aprendemos, onde e quando aprendemos e, idealmente, como aplicamos este aprendizado em nossas vidas, seja pessoal ou profissional.  

No artigo passado, conversamos sobre o conceito “Lifelong Learning” que significa que a aprendizagem não se limita a uma fase específica da vida, e sim ao longo dela.  Meu convite agora é para refletir sobre um outro conceito, o “Lifelong Leisure” (aprendizado contínuo durante o lazer), que, na minha opinião, encontra-se totalmente adequado ao nosso momento atual. Para o escritor norte-americano, Robert A. Stebbinsᶟ, há atualmente três categorias de lazer: o Lazer Sério, o Lazer Casual e o Lazer Baseado em Projetos. Segundo ele, todas as categorias proporcionam aprendizados, porém de maneiras diferentes, de acordo com o perfil e o propósito de cada ser humano. Em seus livros, ele denomina as pessoas que aprendem nos momentos de lazer como Homo Otiosus (homem de lazer) descrevendo o quanto essas pessoas são fascinantes e se tornarão figuras cada vez mais importantes para os tempos atuais.  

Só que para definirmos melhor as nossas escolhas temos que aprender a ouvir a nós mesmos. Dúvidas e medos podem nos prender e nos fazer sofrer, mas quando aprendemos a nos ouvir corretamente, a direção certa aparece. Porém, como sabemos se estamos na direção certa?  Se você está em paz, está seguindo o verdadeiro caminho, pode parecer difícil, mas pessoas felizes, com sucesso, são aquelas que souberam como parar e disciplinar o seu pensamento. Este é um trabalho contínuo e toda vez que você sentir que está perdido no caminho, volte para o seu coração e redirecione a sua vida. 

Nós podemos e devemos ser mais conscientes das nossas escolhas. O poder está nas nossas mãos. Ou seja, precisamos escolher o que mais tem a ver com os nossos propósitos e o que nos traz bem-estar. Lifelong Leisure é uma interessante escolha que nos leva a evoluir! Pense nisso... 


Koan Zen http://paxprofundis.org/livros/koan/koan.htm Caso Projeto Desbravando as Américas https://www.desbravandoasamericas.com.br/ Robert A. Stebbins  https://www.seriousleisure.net/biography-of-robert-a-stebbins.html 

 

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Fátima Rendeiro

Mestra em Gestão da Economia Criativa pela ESPM, com especialização em Marketing e graduação em Publicidade. Associated Partner do Copenhagen Institute for Futures Studies, Membro do Teacher the Future, Diretora da Associação Brasileira de Propaganda (ABP), Conselheira do Grupo de Mídia do Rio de Janeiro e Professora da Graduação de Publicidade da ESPM Rio de Janeiro. Em sua carreira liderou o departamento de mídia de importantes agências de publicidade e recentemente foi Head da In Loco University, área de educação corporativa da empresa de tecnologia In Loco. Recebeu vários prêmios de mídia, entre eles, o Destaque Profissional de Mídia de Agência, prêmio concedido pela Associação Brasileira de Propaganda (ABP) nos anos de 2004, 2006 e 2010 e em 2013 foi vencedora do Prêmio Caboré como “Melhor Profissional de Mídia”, concedido pela editora Meio e Mensagem e considerado um dos mais importantes prêmios na área de publicidade.

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