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Como estimular a Criatividade, a Imaginação e o Pensamento Divergente através da Música


Photo by Eric Nopanen on Unsplash


A criatividade é uma das habilidades mais desejadas e figura nas principais listas de “habilidades do futuro” que circulam por aí. A criatividade não ganha esses status apenas por ser a base da inovação, mas por desenvolver a capacidade de lidar de forma mais rápida com a complexidade de um mundo em constantes mudanças.

Apesar de ser um conceito complexo e com diferentes definições, a criatividade pode ser entendida como a ação de criar o novo, de dar vida às novas ideias. Um processo que passa inicialmente e necessariamente pela imaginação e pelo pensamento divergente, ou seja, pela capacidade de formular novas imagens mentais e novas possibilidades. 


É nesse ponto que entra a música! 

Estudos mostram que músicas alegres com alto engajamento emocional impulsionam a criatividade. Mas basta ouvir música feliz para ficar mais criativo? A resposta não é tão simples assim porque, assim como a criatividade, o tema música é também um tanto complexo. 


A música, o ouvinte, o contexto e a resposta. 

Você já deve ter encarado uma situação na qual, enquanto ouvia uma música, sua mente viajava sem saber para onde estava indo, certo? Essa sensação de fluir o pensamento sem ter o controle da consciência ajuda a ativar a imaginação. Quando não tentamos controlar os pensamentos, damos oportunidade para que a flexibilidade de novas conexões nos levem a caminhos imaginativos completamente diferentes. 

Isso não significa afirmar que, se colocarmos uma determinada música considerada inspiradora por alguns, todos que a estão ouvindo vão experimentar a mesma experiência. Para além do tipo de música, o interesse, a personalidade, o treinamento musical e as possibilidades de interpretação do ouvinte também influenciam diretamente na experiência. E não podemos deixar de fora também se estamos ouvindo a música de forma ativa, ou seja, escolhendo intencionalmente o que vamos ouvir, ou de forma passiva, como, por exemplo, sendo impactados pela música que toca em uma loja. Pesquisas na psicologia clínica da música mostram que os efeitos terapêuticos na redução da experiência da dor são muito maiores se a pessoa está em contato com músicas que ela própria escolheu.

Imagine que estamos em um workshop, em um momento tenso de foco e tomada de decisão em grupo. Alguém coloca para tocar "Don’t Stop Me Now" do Queen que, inclusive, de acordo com estudos científicos, foi eleita a música mais eficiente em fazer as pessoas se sentirem bem. Como você se sentiria, mesmo achando a música incrível? Provavelmente a sensação de irritação tomaria parte de você por não conseguir atingir seu objetivo no memento que é o de tomar uma decisão com o grupo. Esse exemplo serve apenas para ilustrar que o contexto é um fator tão importante quanto a música e o ouvinte. 

Em resumo, a forma como respondemos às músicas está ligada à relação causal mútua entre todos esses elementos: a música, o ouvinte e o contexto.


Playlist da Alegria

Dr. Jacob Jolij, neurocientista da Universidade de Groningen na Holanda, criou uma playlist de músicas alegres e edificantes a partir de um estudo financiado por uma grande companhia. Basicamente, a fórmula para achar as músicas mais alegres foi feita a partir da medição das batidas por minuto, a escola em que a música foi escrita e a quantidade de acordes. Foi nesse estudo que a música do Queen citada acima foi eleita a mais edificante do mundo seguida por “Dancing Queen” do ABBA e “Good Vibrations” do Beach Boys. 

Como a apreciação musical é um fenômeno altamente pessoal e que depende do contexto social, a sua playlist de músicas que levam para um foi criativo pode ser bem diferente da criada na pesquisa. 


Sincronize a música com o seu coração.

Como podemos usar toda essa informação a favor da nossa criatividade? Aqui vão algumas dicas:

  • Comece por fazer uma lista de músicas que você já sabe que te fazem sentir bem, que trazem boas memórias, te fazem fluir no pensamento; 
  • Procure também por músicas alegres que podem ser acrescentadas na sua lista. Se não sabe por onde começar, procure por “Dr. Jacob Jolij uplifting playlist” no Spotify;
  • Teste tocar essa playlist durante o processo criativo. Deixe sua imaginação voar livre e faça conexões com o desafio que está a tentar resolver;
  • Tire um tempo para fazer uma caminhada, claro, ouvindo a sua playlist. A pressão por tempo é importante para o processo criativo assim como o processo de intuição lenta. Caminhar coloca o nosso cérebro em uma frequência mais tranquila que permite as associações mais inesperadas. A caminhada com a playlist vai te proporcionar bons insights;
  • Se o processo criativo for coletivo, como, por exemplo, em um brainstorming, tente montar uma playlist específica para o momento perguntando para as pessoas que vão participar quais são as músicas que as fazem fluir, se sentir bem. 


Playlists montadas? Aperta o play e deixa a criatividade fluir.


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Mario Rosa

Mario Rosa é especialista em inovação, design thinking, futuros desejáveis e branding. É diretor da Abedesign (Associação Brasileira das Empresas de Design) e sócio da Echos Laboratório de Inovação. Líder Local Lisboa do World Creativity Day e Curador da Semana do Empreendedorismo de Lisboa (20/21). Como Design Thinker, viajou pelo Brasil ministrando o curso Design Thinking Experience. Também atuou como facilitador de aprendizagem em cursos in company para a capacitação de colaboradores de grandes empresas na abordagem do design thinking e também foi responsável por facilitar e gerenciar Jornadas de Inovação (trilha de aprendizagem de inovação para lideranças) pela Escola Design Thinking para clientes como Caixa Seguradora, Itau, Visa, Klabin, Porto Seguro. Atuou na Tatil por 5 anos como estrategista e desenvolveu projetos de branding e experiência para clientes como Comite Olímpico e Paralímpico (case premiado da marca Olímpica e Paralímpica Rio 2016), Natura, Lopes, Philips, Nokia, Coca Cola, Renault. Além de ter atuado também como consultor autônomo para clientes como IPPLAN e OCB (Organização das Cooperativas do Brasil).

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