RockinRio Humanorama - Pode Repetir, Por Favor?

Pode Repetir, Por Favor?

"A linguagem complexa oculta a ausência de ideias interessantes. Mostra a esperteza do artista, mas não a inteligência da ideia." Rod Judkins 

 

"Simplificação de cartas do tribunal aumentou em 67% pagamento voluntário de dívidas."  

A notícia, dada pela estação de rádio TSF, mostra como a empresa Claro tornou a comunicação dos tribunais mais simples. Se antes nos chegava a casa uma carta a dizer "Nos termos do disposto no artigo 228 do código do processo civil fica vossa excelência citado para, no prazo de dez dias, pagar ao exequente, deduzir a oposição à execução mediante embargos, sob pena de prosseguimento da mesma", agora, as palavras são outras. E mais fáceis de serem entendidas.  

"Corre neste tribunal contra si um processo para penhora, que serve para cobrar uma dívida. Se não reagir a esta carta, os seus bens ou rendimentos podem ser usados para pagar a dívida." 

Diferente, não? 

Quando escrevemos, queremos ser entendidos ou mostrar a nossa habilidade em devorar palavras nos dicionários? 

Escrever simples, com as palavras que todos conhecemos, não significa que temos um vocabulário pobre, mas sim que queremos chegar ao coração do outro. Mais importante do que as palavras, é o que queremos dizer com as mesmas. 

Na cozinha, por exemplo, o multipremiado chef britânico, Marco Pierre White, diz que devemos sempre optar por não complicar. Isto é, se temos uma boa peça de lombo de vaca, para quê escondê-la com molhos e especiarias? 

Na escrita, também acredito que é esse o melhor caminho. Para quê dizer "retornei a casa" se posso escrever "voltei a casa"? Para quê "ofertar um ósculo" se posso, simplesmente, "dar um beijo"?  

Na minha bíblia da escrita - "Cem maneiras de melhorar a escrita", de Gary Provost -, o autor fala não só desta questão de usarmos as palavras que todos entendemos, mas também na questão de pouparmos nas letras. 

  • Uma vez por mês = mensal 
  • Uma pessoa que não conheço = um desconhecido 


Tudo para deixar a escrita mais saborosa. Sempre. 

Outro ingrediente que também podemos adicionar aos nossos textos chama-se: vá direto ao assunto. Sabe aquelas pessoas que contam o dia todo, com todos os pormenores que ninguém quer saber, só para dizer que foram promovidas no trabalho? Não seja assim! Claro que, às vezes, um bocadinho de suspense é bom, claro que gostamos de (alguns) pormenores, mas a cor da camisola ou os desenhos da gravata do chefe nem sempre acrescentam informação à história. 

Não se esqueça: 

  • palavras simples;
  • pouco para dizer muito; 
  • frases diretas.

 

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Avatar - Mónica Menezes
Mónica Menezes

Sou quase uma ex-tímida. Sou uma apaixonada por palavras. Sou amante de histórias. Sou formadora de escrita há mais de dez anos. Depois de duas décadas ligadas ao Jornalismo, onde passei por revistas, jornais e televisão, apaixonei-me pelas salas de formação. Já publiquei três livros e vários como ghost-writer. Sou formada em Comunicação Social e Certificada em Storytelling. Acredito que uma boa história pode mudar o mundo, nem que seja o nosso mundo.

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