RockinRio Humanorama - Quem Vence A Nova Corrida Espacial?

Quem Vence A Nova Corrida Espacial?

A conquista do espaço está no nosso imaginário desde a primeira infância. Foguetes, planetas, marcianos, odisseias (aliás, que eram previstas para 2001!) e até um simpático E.T. que roubou as telas na década de 80 e até hoje nos encanta. 

Saindo do lúdico, esse assunto tem também muito campo para a discussão desde os primeiros parágrafos desta história. Enquanto se investia para o início de um suposto programa espacial nos EUA, em 1936 o New York Times já polemizava o assunto quando publicou que nenhum foguete seria “jamais” capaz de atravessar a atmosfera da Terra. 

Fato que comprova que previsões falham, e em 1957, União Soviética e os Estados Unidos já travavam uma competição onde o objetivo era desenvolver tecnologia que permitisse a construção da primeira aeronave espacial tripulada em órbita e a chegada à Lua. A intenção declarada por Robert Kennedy em 1961, e o que parecia um futuro improvável, se tornou real quando em 1969 o homem pisou na lua. Note que quando falamos de desenhos de futuros, a intenção é essencial. 

Enfim, uma corrida que devido a crise do petróleo em 1971 diminuiu sua intensidade como disputa sem nenhum vencedor declarado até então, mas nem por isso as grandes potências deixaram de investir na ciência espacial, e suas agências se tornaram ambientes desejados a todos os cientista e engenheiros. A busca pelo espaço é essencial para o nosso desenvolvimento, são inúmeros os avanços que resultam destes estudos.  

Empresas e organizações governamentais dedicadas à pesquisa do espaço, como a NASA e a ESA, agora compartilham espaço com empresas privadas como SpaceX, Virgin Galactic, Blue Origin e muitas outras, e é aqui que precisamos focar nossa atenção. Migramos o poder de definir nossos futuros para empresas em sua maioria com base tecnológica e lideradas por um único individuo, ou seja, uma visão única de futuro, não diverso, não democrático e sob os privilégios de quem pode bancar a experiência.  

Isso não é novidade, mais de um século atrás um outro milionário, Santos Dumont, inventou o avião, que depois se tornou comercial e trouxe muito da nossa evolução. Mas há muito mais do que excentricidade em disputa. Para Musk, o objetivo é ampliar a vida para além da Terra e fazer com que os seres humanos se tornem multi-planetários como menciona no projeto Dear Moon ou simplesmente lançar satélites em órbita como ele, Bezos, Branson e agora a Porsche tem feito massivamente nos últimos anos?  

Não há dúvidas que o espaço se tornou uma plataforma tecnológica fundamental para muitas indústrias em todo o mundo trazendo avanços e novos recursos como criptografia e armazenamento de dados, monitoramento agrícola inteligente, vigilância para combater as mudanças climáticas e tantos outros temas. Mas qual o risco deste poder todo concentrado nas mãos destas empresas? 

Esse ano em Cannes o empreendedor Jared Isaacman, da Shift4, que comprou uma viagem inteira da SpaceX ao espaço comentava sobre a ação de marketing que criou em cima disso. A ideia é combater o senso comum de que as viagens espaciais não podem ser prioridades em um mundo com tantos problemas a resolver. A missão Inspiration4 nasceu com o intuito de levar quatro pessoas ao espaço - cada uma representando um grande valor humano e que busca angariar fundos que serão doados às causas sociais.  

Esse questionamento social é válido, afinal estamos vivendo dias difíceis agravados pela pandemia, e é quase óbvio questionar o porquê esse dinheiro todo não está sendo investido na igualdade social. Por outro lado, estes senhores criticados aqui lideram também a lista dos maiores doadores a causas sociais e ambientais, e negar a eles esse direito de viver a tal rotulada aventura pode ser negar a eles o investimento em nosso próprio desenvolvimento, em nosso futuro.  

Mergulhando mais afundo, para além da espuma da polêmica, encontramos nesta nova corrida uma imensidão de oportunidades para o mercado empreendedor - como por exemplo limpar o próprio lixo espacial gerado desde as primeiras ações em órbita - ou mesmo sobre o futuro do trabalho, uma indústria de prevê movimentar 1 trilhão de dólares em 2040, poderá gerar também uma gama gigantesca de profissões que sequer imaginamos hoje.  

O nosso papel não é ser somente expectadores desta nova corrida, torcer para um vencedor, nem mesmo entrar na onda da superficialidade.  Nosso papel é sim questionar os trade offs, ou seja os problemas que esse desenvolvimento nos trará. As respostas talvez venham apenas no futuro, mas é essencial nos envolvermos agora.  

Começamos a falar de um futuro em que será normal viver e conviver no espaço, e como disse Jared Isaacman: "As pessoas têm o desejo de ir para o espaço e explorar o desconhecido para ajudá-las a responder a perguntas que buscam desde o começo dos tempos da humanidade".  


Assine a nossa Newsletter e entre nessa conversa conosco, aqui.



Avatar - Camilo Barros
Camilo Barros

Publicitário, Master em TrendsInnovation e Designing Futures. Head de Parcerias da Vidmob, sócio do Institute for Tomorrow e Co-creator do Tomorrow Cast. Especialista em Creative Effectiveness e utilização de inteligência artificial na criatividade. Lidera missões de negócios aos ecossistemas e eventos de inovação, tecnologia e criatividade.

Link copied!
Este site não suporta Internet Explorer. Por favor utilize outro browser da sua preferência.