RockinRio Humanorama - Será Que Estamos Mesmo Preocupados Com Nossos Dados?

Será Que Estamos Mesmo Preocupados Com Nossos Dados?

Muito tem se falado sobre dados, mais ainda no que tange a privacidade deles ou melhor, a nossa privacidade. Mas de fato sabemos a importância deles? 

Seja pelos inúmeros documentários nas plataformas de conteúdo, pelo acesso a esse site – se você está aqui é porque aceitou estar, notou? – ou mesmo pela avalanche de e-mails que temos recebido diariamente sobre as mudanças nas leis de privacidade de dados a todo momento somos alertados sobre eles. Mas de fato estamos preocupados com eles ou sabemos o que será feito deles, e o que isso implica em nossos futuros? 

Dados em si não são inerentemente valiosos. Em vez disso, os dados se tornam valiosos quando são usados para fazer alguma mudança de negócio, ou em nossas vidas de maneira mais ampla.   

Criar uma estrutura organizacional e uma tecnologia que permita o acionamento contínuo de dados e uma gestão orientada por ele é bastante difícil, portanto, não é para qualquer um e pode ser aí que mora o perigo.  

Se olharmos a China, onde declaradamente não há mais canto escuro, 1.4 bilhões de cidadãos tem suas vidas monitoradas 24h por dia através de cerca de 200 milhões de câmeras que monitoram seu comportamento, e isso é o que define o seu “social score” ou seja, a sua nota que permite ter acesso a serviços e benefícios, mas será que o cidadão chinês se incomoda com isso, ou somente nós que não somos beneficiados nesta troca?  

Diariamente deixamos nossos dados em algum lugar em troca de algum benefício. Seja para o simples acesso nas redes sociais ou um cupom de desconto em uma loja online, e dormimos tranquilamente com isso. Mas porque então tanto alarde?  

“A maioria das pessoas ainda não faz nem ideia de que absolutamente todos os dados que ela produz todos os dias ao acessar as redes sociais estão sendo coletados e tratados ao redor do mundo por grandes companhias públicas e privadas, sem consentimento e sem qualquer transparência sobre o que será feito com eles, a quem eles serão repassados e de que forma serão usados” alerta Brittany Kaiser que desvendou ao mundo o escândalo da Cambridge Analytica.  

Qualquer pessoa que tenha entrado em uma rede social ou feito uma transação digital desde 2005 não tem mais privacidade nenhuma sobre os seus dados. Por isso as novas leis gerais pregam que antes de dar acesso é necessário tirá-lo totalmente para depois concedermos novamente, mas você está atento ao que está permitindo, ao que está concedendo, ou simplesmente clica sim para agilizar o seu processo? 

Recentemente temos ouvido falar sobre open banking, certo? Você sabe o que é? Mas tenho certeza de que a oferta atrativa do banco vizinho poderá te motivar a ceder seus dados sem qualquer pudor. O sistema vai permitir o livre compartilhamento de serviços e dados dos clientes, entre instituições financeiras, incentivando a melhor oferta ao cliente. Somos culturalmente ávidos a benefícios e nossa maior moeda se chama dados.  

Os dados influenciam o comportamento do consumidor, assim como a mídia influenciou lá atrás, quando a moeda era tempo em troca de conteúdo. Se eu te der benefícios, você me dará dados. Dado é intimidade, e a intimidade será o maior valor do marketing no futuro. Quanto mais uma marca conhecer e se relacionar com o seu consumidor por meio dos dados, mais próximo e forte será esse vínculo. Ter uma estratégia de dados com o seu público o torna aberto e relevante, e assim os dados direcionam como será o profissional do futuro. Muitas organizações já têm na despesa aprovada pelo CMO mais TI do que o CIO, e cabe a ele a missão de transformar o Big Data em uma vantagem competitiva para a empresa, ou seja, olha aí o valor do dado do consumidor.  

Se olharmos o ecossistema de comunicação estamos em meio a uma revolução, as agências tradicionais e equipes de marketing não foram projetadas para a Criatividade Inteligente, como denominamos a ação criativa orientada por dados, foram arquitetadas para criatividade armazenada, desinformadas e em repouso. Não é uma transição fácil, pois requer mudança organizacional e mudança tecnológica. Mas essa dor é necessária para poderem ainda ter papel relevante nesta cadeia.  

Por outro lado, o que parece uma ida sem volta, vemos as organizações sendo regulamentadas sobre mudanças na privacidade, o que nos empurra cada vez mais rápido para um mundo sem cookies, a eliminação do acesso ao IDFA e outros identificadores, e a deterioração geral dos recursos de segmentação, ou seja, ao invés de demonizarmos os dados ou esperarmos pelo fim da inteligência humana, vamos utilizá-los para empoderar o processo criativo e cada vez mais gerar essa intimidade com o consumidor. 

Sendo assim, não temos que nos preocupar com o que os outros estão preocupados sobre os nossos dados e sim com o que tem sido feito com eles e irão nos impactar no nosso futuro, positivamente e sobretudo negativamente.  

Assim como cuidamos das nossas riquezas, os dados precisam de atenção, são nossa moeda mais valiosa no momento quanto vivemos em comunidade.  


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Camilo Barros

Publicitário, Master em TrendsInnovation e Designing Futures. Head de Parcerias da Vidmob, sócio do Institute for Tomorrow e Co-creator do Tomorrow Cast. Especialista em Creative Effectiveness e utilização de inteligência artificial na criatividade. Lidera missões de negócios aos ecossistemas e eventos de inovação, tecnologia e criatividade.

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