RockinRio Humanorama - Vamos Acordar Animados Para Fazer O Mínimo Viável

Vamos Acordar Animados Para Fazer O Mínimo Viável

Os tempos mudaram, é certo, vivemos em um mundo altamente volátil, incerto, complexo e ambíguo, e para sobrevivermos a estes temos feito pouco, temos feito o mínimo viável, como se diz no universo corporativo.  

São inúmeras as metodologias que nos levam a prototipar algo antes de escalar, e isso já virou cultura, herdada do universo das startups e seus milhares de exemplos de sucesso. O problema é que essas que nos contam sobre o sucesso não fizeram apenas o mínimo, elas disruptaram mercados, se aprofundaram nas dores, erraram, mudaram, e maioria delas, e não desistiram como a maioria das outras que ficaram apenas na ideia.   

Por definição o MVP, mínimo produto viável, prova a visão inicial da startup, revelando se aquela boa ideia corresponde mesmo um produto interessante ou se era apenas uma “expectativa utópica”, sem lastro com as demandas práticas do mercado. Porém o foco do MVP não é essência, nem meio, ele é princípio. Não é um estilo, é apenas uma ferramenta. 

Nós, designers, utilizamos muito a prototipação para materializar ideias e poder testá-las, porém em um ambiente preparado, semelhante ao ideal, mas controlado, apenas com o intuito de validação da ideia e empatia com os outros. 

Essa cultura como meio tem levado a uma pasteurização de muita coisa, sobretudo quando olhamos para a comunicação, marcas, conteúdo, ou seja, tudo aquilo que compõe a nossa jornada diária. Vemos marcas completamente diferentes, de indústrias as vezes opostas com visuais altamente parecidos, sem consistência em suas narrativas, sem nenhuma capacidade de impacto. 

É necessário ousar, ir mais longe, não apenas fazer o mínimo.  

Steve Jobs, um dos percursores do minimalismo estético, sempre ressaltou que acordava para fazer coisas incrivelmente grandes, era isso que o movia. Combinados com a qualidade geral do produto e a imagem da marca, os designs inovadores da Apple são um fator importante para o sucesso da empresa. Criam produtos elegantes e simples, impressionantemente minimalistas, embora permaneçam de alta qualidade e altamente funcionais. Tudo é cuidadosamente projetado para ter uma boa aparência - e a empresa consegue fazer isso limitando e aperfeiçoando os produtos anualmente, mesmo que isso fuja a lógica da durabilidade ideal do produto.  

Me parece que esse pensamento deu certo ou será que ele acordava pela manhã, se espreguiçava, abria a janela, olhava o lindo dia que apontava na Califórnia e dizia em alta voz: “Que dia incrível para fazer o mínimo viável para mim!”? Posso imaginar que não. Se queremos ser diferentes e impactantes no futuro nos levantamos para fazer coisas grandiosas, não basta o mínimo. 

Neste sentido, eu adoro o Brian Collins, um ícone do design que de certa forma ridiculariza essa excessiva cultura do MVP, dizendo que as coisas costumavam ser projetadas e desenvolvidas para serem “Insanamente Incríveis” e agora nosso foco é um "produto mínimo viável". Segundo ele, isso só leva a um pensamento igualmente mínimo viável e a um futuro pouco interessante.  

E quando falamos em futuro, é nisto que temos que nos ater. O futuro é sua competição, esqueça ser competitivo com quem é igual a você. Se você não pode estar apto para um mundo em constante mudança e em rápida mudança, você será irrelevante. Brian é um firme defensor de que é preciso ter novas ideias para garantir que você seja sempre lembrado, inclusive intitula uma de suas mais famosas palestras como "Por que o futuro pertence aos criativos". 

Collins, que está à frente de seu escritório de design e revolucionou marcas como Spotify, utiliza uma metáfora excelente, uma história de pirataria de 1730 como uma ilustração hilária da verdadeira marca para nos trazer a mensagem de que não se trata apenas de ter uma boa marca (a icônica caveira e cutelos cruzados). Mais importante é que você se comporte de forma consistente para cumprir a promessa da marca. Só então sua marca se torna poderosa com seu mercado. Até hoje basta vermos uma bandeira pirata e logo pensamos, estou ferrado. Ou seja, é preciso ir além da ideia.  

É preciso não ser apenas uma ideia minimamente viável, precisamos de algo impactante, poderoso, que tenha capacidade de fazer o futuro ser um lugar mais interessante.  

Acorde e diga, hoje eu vou fazer o meu melhor, hoje eu vou dar o meu máximo! 


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Camilo Barros

Publicitário, Master em TrendsInnovation e Designing Futures. Head de Parcerias da Vidmob, sócio do Institute for Tomorrow e Co-creator do Tomorrow Cast. Especialista em Creative Effectiveness e utilização de inteligência artificial na criatividade. Lidera missões de negócios aos ecossistemas e eventos de inovação, tecnologia e criatividade.

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