RockinRio Humanorama - Vu Jàdé Contra O Feitiço Do Tempo

Vu Jàdé Contra O Feitiço Do Tempo

Em 1993, Bill Murray protagonizava o longa O Feitiço do Tempo – uma comédia estadunidense, cuja o personagem do Bill (o Phil), após realizar (mecanicamente e contrariado) uma cobertura jornalística sobre o Dia da Marmota, se vê obrigado a pernoitar em uma idílica realidade interiorana dos EUA, em razão de uma nevasca.

Os problemas do protagonista principiam, na manhã seguinte, quando este começa a se dar conta que está revivendo o dia anterior, em uma sequência de Déjà Vus.

Passados alguns dias, o Phil percebe que (em verdade) está preso em um loop temporal, pelo que questiona: "E se não houver amanhã?" Logo, conclui: "Não houve um hoje". Este é o nó górdio a ser enfrentado nesta reflexão, a saber: deixar a vida se resumir em um conjunto de Déjà Vu, a ponto de diluir o hoje e o amanhã em um contínuo, again!

Vale o registro que, nosso cancioneiro nominou - esse contínuo -, como "Cotidiano", afinal, "Todo dia ela faz tudo sempre igual; Me sacode às seis horas da manhã; Me sorri um sorriso pontual; E me beija com a boca de hortelã (...)". Genial!

Portanto, em justa homenagem e respeito (ao Chico, que me precedeu), tratarei o fenômeno por Cotidiano, somente!

Assim, quando circunscrevemos a existência humana ao cotidiano, estabelecemos a possibilidade da impossibilidade do amanhã – e, por consequência, do hoje também! Ou seja, se a existência é o somatório de nossas construções de sentido, o cotidiano será sua impossibilidade. Neste ponto, importa registrar que, em períodos de quarentena (como o que atravessamos), é possível que observemos uma aceleração no processo de cotidianização da experiência humana, que se resumirá (em geral) aos espaços da casa.

Retomando a alegoria apresentada pelo filme O feitiço do Tempo, temos que, o protagonista conseguiu romper a lógica de cotidianização, a que estava submetido, simplesmente, se abrindo à descoberta, ao encantamento, ao desvelamento de sentido daquela realidade que ele tanto rejeitava, desde a chegada naquela pequena cidade - afinal, como destacamos inicialmente, ele estava lá de mecanicamente e contrariado.

E este é o ponto de ruptura de nosso nó górdio, qual seja, "mudar nosso foco de objetos ou padrões no primeiro plano para aqueles no fundo (...) pensar em coisas que geralmente são consideradas negativas como positivas e vice-versa. Isso pode significar reverter suposições sobre causa e efeito, ou o que importa mais versus o que menos importa. Significa não viajar pela vida no piloto automático". Ou seja, aquilo que o professor da Universidade de Stanford, Bob Sutton (no livro Weird Ideas That Work), nominou como Vu Jàdé – sim, o oposto do Déjà Vu.

Em verdade, mais do que um método, técnica ou filosofia, o Vu Jàdé foi elaborado enquanto alerta (sincero), sobres as armadilhas escondidas sob a cotidianização – que nos exige uma imediata mudança de mindset, visando evitar a criação de nossos próprios feitiços do tempo.

Vivamos em Vu Jàdé!


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Pablo de Andrade

Advogado especialista em empresas com graduações em Direito e em Filosofia. Mestrado profissional em Compliance UCJC/ESP; MBA BI and Analytics; MBA em Direito Tributário; MBA Executivo Internacional; LLM em Direito Empresarial; LLM em Direito Societário, com curso de extensão em Inovações (UCI - Irvine/CA/EUA).

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