RockinRio Humanorama - Zoom Out É Preciso

Zoom Out É Preciso

Desde bem jovem, empreendo na música e cultura, realizando festivais, shows e festividades, sendo sócio de casas e espaços e, mais recentemente, desenvolvendo projetos artísticos e carreiras. Nestas aventuras, dedico especial atenção à cultura de música eletrônica, uma paixão, onde bate mais forte meu coração e atualmente atuo como diretor artístico no Rock in Rio (palco New Dance Order), além de ter criado o Brazil Music Conference, o festival Rio Music Carnival, dentre algumas outras boas empreitadas. Hoje também represento alguns produtos artísticos-culturais, como a jovem dj Rivkah, a Funk Orquestra - a primeira neste formato e gênero no mundo - e a obra e personagens do nosso grande Ziraldo. 

Para usar um  termo da moda, meu grande ‘gatilho’ para o universo da música eletrônica foi a íntima relação que sempre se estabeleceu com tudo que envolve o futuro. Essa comunidade é uma eterna aliada às novas tecnologias, tem rápida capacidade de adaptação e cultua alguns valores e crenças na humanidade que me fazem muito sentido. Dos NFTs aos cenários high-tech e os Metaverses, são os “eletrônicos” que partem sempre na dianteira das inovações no mundo do entretenimento e das experiências. Essa turma, de fato, visualiza, define e cria o futuro. Não faço o tipo nerd, nem ‘tech-addicted’, muito pelo contrário. Foi justamente a visão do lado humano, o coletivo, a interdependência, a alegria dos encontros que me trouxe até aqui, com vitalidade e alegria, nesta estrada depois de pistas e mais pistas e muita poeira para trás... 

Escrevo este artigo ainda em meio a Pandemia Covid-19. Dentre as lastimáveis tragédias, vidas perdidas, talentos que se foram, como em tudo na vida, sempre há o lado das oportunidades que as crises descortinam. Tamanha inflexão no curso da história, nos forçou a dar um tremendo pause na correria frenética das nossas vidas. Tivemos acesso à um “tempo perdido”. Ato contínuo, ansiedade, algum grau de insegurança e, talvez, medo. Que foi se acalmando e dando espaço para olhar mais profundo pra dentro de nós e a notável possibilidade de dar um zoom out em muitos os aspectos da nossa vida e do planeta. Na verdade, o tempo continuou igual. Mas tivemos a oportunidade de olhar de um outro lugar, mudar a perspectiva. Perspectiva, por definição, é o modo como se concebe ou analisa uma situação. O ponto de vista.  

Não é todo dia que uma Pandemia dessa magnitude atinge o principal morador do planeta, o humano, alterando profundamente o comportamento de boa parte dos 7 bilhões de indivíduos. Nosso futuro passou a ser criado a partir de outro lugar, de uma nova perspectiva. Com estas novas lentes, as descobertas a partir daí foram muitas, que vou me arriscar a destacar algumas por aqui.  

Tal inflexão foi a oportunidade ideal para o aumento da conscientização sobre as causas do meio ambiente e a sustentabilidade, a compaixão e a empatia em relação aos animais e todo o desequilíbrio do planeta que vivemos. Somada ao comportamento e os hábitos de consumo das novas gerações, as descobertas se estenderam com força também às questões econômicas, políticas, raciais e sociais. Uma revisão geral para a construção do futuro, a partir de um zoom out. 

Se hoje há esperança, é porque ficou claro que a solução para as grandes questões da humanidade passam pela ciência, pelo conhecimento e pensamento e ações coletivas – não individualistas. No auge da Pandemia o Papa Francisco declarou com veemência, “o individualismo é um vírus”. 

 Acho bizarro, sinto quase um mal estar ao pensar que há pouco mais de vinte anos atrás, não existia internet! Hoje estamos diante da possibilidade de endereçar os grandes problemas da humanidade através da manipulação de dados, a estatística e a inteligência artificial. Segundo uma teoria que cada vez ganha força entre os cientistas, até mesmo a morte é uma questão técnica e o cronômetro já começou a contar para que este dia chegue. Já pensou? Vamos nos tornar amortais, com “a”, que significa que por questões biológicas ou fisiológicas não morreremos, mas por fatalidades ou traumas acidentais. 

Num olhar mais filosófico, outro grande aprendizado deste período  foi entender o que se faz essencial e o que não é. Começamos a perceber que não precisávamos de tanto e também que tantas outras coisas não dávamos o devido valor, precisávamos muito. Entendemos assim, a necessidade de desapegar e separar o que é supérfluo e focar no essencial. Novamente, uma revisão geral, através da observação em zoom out, ressignificando muitos aspectos da nossa vida e existência. 

É preciso afastamento, descolamento, zoom out (!) e, sendo possível, uma observação imparcial e desapaixonada, com consciência, para dar espaço à novas perspectivas, e delas, a criatividade e a imaginação. O bastão da evolução está em nossa mãos e nunca antes, nesta breve história da humanidade, tivemos tantas possibilidades de viver e usufruir “o melhor”. Cada um e todos nós somos os responsáveis por liderar o processo da criação do futuro. E esse futuro é, por certo,  divertido, amoroso e temos apenas uma missão, como seres vibráteis e habitantes deste planeta: o pleno bem-estar.  

Neste campo fértil de possibilidades, dou as boas-vindas ao Humanorama - esse projeto espetacular, o espetáculo do humano - uma ferramenta e tanto para inspirar, provocar à nossa imaginação e às necessárias mudanças de perspectivas! De tempos em tempos, é preciso estimular tais novos olhares, através da arte, da música, do entretenimento e de eventos como este. Que seja o anabolizante da transformação! 


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Claudio Rocha Miranda Filho

Diretor Artístico no Rock in Rio; Co-fundador do Brazil Music Conference e Rio Music Carnival, sócio na Casa 09 Produções.

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